Archive for the ‘Hipérboles’ Category

“When a dancer becomes a dance”

dezembro 30, 2012

A bailarina se torna menos mortal
quando deixa em casa os calcanhares.

Sem eixo, vira tablado
pode estar em toda parte.

Edgar pensou em dançarinas.
Aleksandr pensou na dança.



Per dom, perdões

julho 12, 2012

— não te perdoo o rancor.

— prefiro dar com a cara no muro,
dar facada em murro,
a te dever favor.

Amores de verão em pleno inverno

junho 12, 2012

Pode amar o batente da porta
Pode amar a cabeceira da cama
Pode amar o encosto da cadeira
Pode amar o cadarço do sapato
Pode amar o zíper da calça
Pode amar o bule do café
Pode amar o filtro da água
Pode amar o capacho da entrada
Pode amar o despertador das 3 e trinta.

Mas e a paixão?

A paixão dos gestos largos,
A paixão das chuvas de verão
em pleno inverno…

Essa de fazer viajar latitudes,
de fazer tomar atitudes…

Essa de fazer aprender mandarim,
alemão & francês,
medicina, ou álgebra…

Essa não é de hoje, nem de ontem, essa é de sempre, essa não se ganha com argumentos, nem com os boletos da escola dos filhos, essa é pra quem está vivo, essa é pra quem não morreu, essa é como o vento…

O vento que não desvia,
O vento que derruba,
O vento que quebra…
que arrebata
e arrebenta.

Como Baudelaire

junho 8, 2012

Uma excessiva consciência de si mesmo
Uma forma superior de ser inferior
àqueles a quem desprezamos

Pepe-jaki

maio 9, 2012

Entre o mágico e o operário
Se escondem alguns móveis
Duas cômodas, um sacrário
Gavetas vazias, rimas fáceis

O escritor pode ter mil profissões num ofício: não precisa ser o xamã, prestidigitador, animador de auditório; não precisa ser amargo apertador de parafusos, nem vil encantador de caramujos.

Amor livre II

maio 7, 2012

Nas artes do equilíbrio:

um é pouco, dois é bom, três é tripé
mais que isso é
“quadrúpede!”
A coisa vira xingamento.

Amor livre

abril 29, 2012

Eis a grande mágica do sistema de polias:

Para vingar a nossa estripulia
Há o macete da roldana,
Há sempre alguém a fazer
o cafona papel de parede.

Movimento

abril 1, 2012

Imagem

“aqui você precisa de calar a sua sabedoria para sobreviver. Conhece a diferença entre o sábio branco e o sábio preto? A sabedoria do branco mede-se pela pressa com que responde. Entre nós o mais sábio é aquele que mais demora a responder. Alguns são tão sábios que nunca respondem.

Faz bem, Massimo: não aspire ser centro de nada. A importância aqui é muito mortal. Veja, por exemplo, essas avezitas que pousam no dorso dos hipopótamos. Sua grandeza é o seu tamanho mínimo. É essa a nossa arte, nossa maneira de nos fazermos maiores: catando nas costas dos poderosos.”

Outro tempo

outubro 10, 2011

Quando Jean Brunhes publica, em 1914, o seu livro A Geografia Humana, ele também se desculpa diante de seu público e do seu editor por um atraso de dez anos. Nossa culpa é dobrada, porque nosso projeto é ainda mais velho. Mas podemos, como ele, dizer que “o meu atraso deve-se ao escrúpulo e não à negligência”.

(Milton Santos – na introdução de seu livro A Natureza do Espaço)

Amor tipo 1b2

outubro 3, 2011

Na discussão entre aquele que dizia horizonte e aquele que dizia ponto de fuga,
Um homem perguntou a outro se aquelas duas setas possuíam o mesmo tamanho,
Se eram chave e fechadura ou uma ilusão
De óptica. O mesmo homem perguntou por que, afinal, Eros?

E outro respondeu com uma pergunta:

– É a perspectiva quem cria o desejo…
ou o desejo inventa a perspectiva?