Djalminha

sino

Esta manhã, pensei em meu primo
Como se ele fosse um artesanato

Daqueles feitos com palitos de sorvete e tinta
Pindurado num fio, qual mensageiro dos ventos.
A vibrar sob o som inaudível das promessas.

***

Há ossos pequeninos por sob a carne d’ouvido,
Diapasões femininos que o mundo — a perceber —
nos dão

Em meu primo, a surdez fez esse mundo, para um lado, penso,
qual inclinada torre. 

E o que farão esses ossos sem vibrar?
Dão ao badalo dos sinos qual atenção?

Se para um lado do mundo pende 
a atenção desse homem sério,
Órfãos de quem são os habitantes
desse outro ignorado hemisfério?

São esses ossos sinais de qual silêncio?
Dizem o que, ao não ouvirem o que dizem?

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3 Respostas to “Djalminha”

  1. gui Says:

    ora direis, ouvir silêncios;

    se a dor dá a moldura dos afetos
    o breu da noite é a tela em que o sol se pinta
    o silêncio é a folha que recebe a Palavra.

    calar-se é uma bela e importante forma de falar.

    já nos provam
    o olhar cúmplice dos apaixonados
    o olhar zeloso velando o ressonar da amada
    aqueles átimos entre a bola cruzando a linha e o grito da geral.

    mudos beijos e abraços.
    mudos.

  2. Rod Says:

    Esse Manuel Bandeira e suas maneiras
    O Djalminha e seus pergaminhos
    E suas mãos em prece no altar da cozinha

    Tudo isso tem muito de mim.
    Em mim há muito disso tudo.

  3. Cris Maia Says:

    Gostei disso!

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