Bigodeanas

No cativeiro, ser cativo… ou tentar cativar?

baú com a indumentária do CarlitosE no mais, a arquitetura inocente das amizades e dos amores se perde no cansaço do baralho tecnocrata dos códigos de barra.
E se todo o mistério da delicadeza fosse acorrentado e encarcerado?
Se todas as pelúcias do globo fossem feitas reféns?
E se todos os sonhos fossem catalogados numa imensa fila de espera do microcosmo?
E se todas as gargalhadas infantis e sussurros amorosos fossem abafados pelo barulho louco das megalópoles?
E se desafinassem todos os galos e se fizesse rouco o grito que traz à tona todas as manhãs?
Se fosse soprado o fogo alcoviteiro dos cupidos, fazendo amornar o sol, abrandar o amor e gelar a vida?
E se todos os carinhos fossem assassinados na relutância dos rancores?
E se a todos os navios já não houvesse porto?
A todo avião e sonho já não houvesse pouso?
E a toda lousa, giz?
E a toda fome, pão?
E a cada comédia, atriz?
E se a tudo e todos na terra já não houvesse paz?

Quem de nós agitaria a massa para juntar nossos trapos?
Quem de nós poderia pagar o resgate?
Ou quem de nós teria a coragem de participar de uma operação camicase… para a mais nobre das salvações!!!?!!! Quem de nós? 

 [em Sob os bigodes de Arnaldo, na edição intitulada El rapto del Bigodón, de dezembro de 2001, que foi republicada em caderno para colecionadores, em maio de 2002, juntamente com El resgate del Bigodón]

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