“Novas diretrizes em tempos de paz”

De Epifanias do Inimigo Invisível, álbum do ilustrador angolano Daniel Lima, inpirado no filme O deserto dos tártaros, de Valerio Zurlini, adaptação do romance homônimo de Dino Buzzati

“Em seu poema à espera dos bárbaros, o grego Konstantinos Kaváfis (1863-1933) descreve um cidade-estado cujos cidadãos adiam o cumprimento de suas obrigações diárias na expectativa de uma invasão eminente (sic). A movimentação inusitada, no entanto, não se destina a preparar qualquer tipo de resistência , antes festas e honrarias aos novos senhores. No final do dia quando chega a notícia que nenhum conquistador cruzara a fronteira, inquietos, homens comuns, juízes, legisladores e até mesmo o imperador abandonam a ágora onde se reuniam a suspirar: pelo menos os bárbaros eram uma solução.

Ainda que distante tantos séculos de nós, a situação evocada por Kaváfis parece familiar. Sempre à espera de paz ou guerra deixamos para depois uma reação ao que nos desagrada por falta de uma resposta definitiva. Mas a paralisia também é uma resposta. Talvez a pior; com certeza letal: o mais reconfortante é rezar, às escondidas ou não, para que alguém tire inexoravelmente de nossas mãos o direito e a responsabilidade de decidir.”

(Bosco Brasil, do programa de sua peça Novas diretrizes em tempos de paz, montada pela diretora Ariela Goldman)

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