A instrução dos Amantes

ao esperar por palavras próprias, tomo algumas de empréstimo…

“Eles não tinham senão a sabedoria dos afectos brutos. Surrupiavam os espelhos dos elevadores só pelo prazer de os esmigalharem pelas escadas, de se observarem multiplicados neles, e de esperar que algum estranho acabasse por se ferir. Estragar os adereços do mundo trabalhador e roubar-lhe pequenas utilidades, como carros e dinheiro, era cumprir uma missão de rigor e limpeza. Nunca eram descobertos e toda a gente sabia que eram eles. Esta impunidade provava-lhes que eram temidos, e que o mundo adulto era feito do palavroso convívio com o medo.
Ouviam sermões imensos, pasmavam de ver a quantidade de palavras que os velhos eram capazes de arranjar para embrulhar os caminhos que não tinham tido coragem de seguir. Era só por isso que odiavam as escolas e faziam questão de prescindir das palavras. Para proteger essa pureza radical a que se tem chamado, consoante os tempos e as conveniências, loucura ou lucidez.” (Inês Pedrosa)

eterna

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