Veleiros e vontades

Fora do contexto movediço que cria personalidades e personagens, é possível isolar os homens e reduzi-los a tipos de variedade limitada.

Eis rótulos ou arquétipos.

 

Obstinados, claudicantes, absortos, complacentes, deslumbrados…

Por qual cega obstinação esta senhora mira até onde não se pode ver? E para onde?

Por que motivo reluta – seria reviver o luto? – claudica, e predispõe-se ao torcicolo e ao tombo esse sujeito que vai sem ir, que parte sem partir, que permanece sem ficar?

Por que vereda vai o pensamento daquele que paira absorto e traz na ponta do queixo em punho as indagações de mil homens?

Em que pradarias os grisalhos cabelos daquele senhor concedem um valor contingente ao frenesi dos demais passantes?

Por quantos vinténs se compram as íris-kodak dos embasbacados turistas?

Autos – de Inferno ou Salvação – não são mais do que farsas.

O onzeneiro, a alcoviteira, o parvo…
Pechas morais sem sentido, simplificações irreais e mortiças. 

Restaurada a integridade da vida, em seu fluxo dinâmico e complexo, os tipos são impossíveis. As personalidades têm o viço mutante das águas, e o sopro das vontades que velejam.    

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