“A revolução social do século XIX
não pode tirar sua poesia do passado,
e sim do futuro.
Antes a frase ia além do conteúdo;
agora é o conteúdo que vai além da frase.”
Karl Marx (18 Brumário)

“A revolução social do século XIX
não pode tirar sua poesia do passado,
e sim do futuro.
Antes a frase ia além do conteúdo;
agora é o conteúdo que vai além da frase.”
Karl Marx (18 Brumário)


“era absolutamente original; combinava erudição e sintonia permanente com o que acontecia no mundo; aliava sensibilidade estética a rigor filosófico; temperava ousadia e equilíbrio, imaginação e prudência; criatividade e fidelidade à tradição; engajamento político e independência; produção acadêmica fiel aos cânones e autonomia, tanto na escolha dos temas, quanto na maneira de tratá-los; diálogo com seu pares universitários e participação no debate público; espírito crítico ferino e humildade ante o pluralismo de opiniões; firme em suas posições e tolerante com as diferenças; convicção e responsabilidade.”
[descrição sobre o perfil da cientista política Hannah Arendt feita pelo professor Luiz Eduardo Soares em seu artigo Hannah Arendt e sua receita para tempos sombrios]
“as qualidades de uma boa conversa deveriam ser a polidez sem fingimento, a franqueza sem rispidez, a erudição sem pedantismo, o rigor sem aridez e, sobretudo, a disposição sincera de cooperar na busca do saber. Afinal, eles se perguntaram, o que os impedia de, sem perder a leveza e o bom humor, perseguir com afinco a verdade? O sério não é sinônimo de soturno, assim como o profundo não o é de obscuro. La gaya scienza. Se a busca do saber não precisa ser sisuda, a alegria da convivência não precisa ser frívola.”
[descrição sobre as qualidades do diálogo, da arte da conversação, feita pelo economista e professor Eduardo Giannetti em seu livro Felicidade]
simples, simples, simples…
… cia do latão.
Os equívocos colecionados formam um arco de qual forma?
“Hannah Arendt apontou a saída: é, sim, possível, mesmo reconhecendo a vacilação do terreno em que pisamos, assumir valores, defender posições políticas, afirmar convicções, investir no conhecimento, firmas juízos morais e estéticos. Para isso, é necessário recusar os dogmatismos, reconhecer a legitimidade do pluralismo, adotar a humildade e a tolerância como posturas constantes, e buscar,no diálogo e na reflexão crítica, no estudo da tradição e no exame do repertório contemporâneo das criações culturais, as referências que produzam menos danos para a vida coletiva, em condições civilizadas (sic), e menos prejuízos aos valores que podem proteger e animar, seja o espaço público democrático, seja a experiência privada variada e livre. A receita não é simples, nem fácil. Não se aplica, mecanicamente, mas nos ajuda a atravessar nosso tempo sombrio”
[do antropólogo e cientista político Luis Eduardo Soares (UERJ), no texto Hannah Arendt e sua receita para tempos sombrios]
“Cada sinal cuidadosamente evitado é uma reverência feita pela escrita ao som que ela sufoca.”
(Theodor Adorno em Noten zur Literatur)

“Em seu poema à espera dos bárbaros, o grego Konstantinos Kaváfis (1863-1933) descreve um cidade-estado cujos cidadãos adiam o cumprimento de suas obrigações diárias na expectativa de uma invasão eminente (sic). A movimentação inusitada, no entanto, não se destina a preparar qualquer tipo de resistência , antes festas e honrarias aos novos senhores. No final do dia quando chega a notícia que nenhum conquistador cruzara a fronteira, inquietos, homens comuns, juízes, legisladores e até mesmo o imperador abandonam a ágora onde se reuniam a suspirar: pelo menos os bárbaros eram uma solução.
Ainda que distante tantos séculos de nós, a situação evocada por Kaváfis parece familiar. Sempre à espera de paz ou guerra deixamos para depois uma reação ao que nos desagrada por falta de uma resposta definitiva. Mas a paralisia também é uma resposta. Talvez a pior; com certeza letal: o mais reconfortante é rezar, às escondidas ou não, para que alguém tire inexoravelmente de nossas mãos o direito e a responsabilidade de decidir.”
(Bosco Brasil, do programa de sua peça Novas diretrizes em tempos de paz, montada pela diretora Ariela Goldman)

“Quando cai a casa de um grande senhor,
Muitos pobres são esmagados.
Os que não compartilharam a fortuna do poderoso
Freqüentemente compartilham seu fado. A queda da carroça
Arrasta consigo os bois suados
Para o fundo do abismo.”
[Bertolt Brecht (VIII, 21; Grosse kommentierte Berliner und Frankfurter Ausgabe - Aufbau/Suhrkamp, 1989-1998)]