A prece de um fraco
Que luz…
Que alacridade…
Que plenitude…
Tudo é lindo
Muito lindo
Muito bom
Demais até
Pra durar muito.
Entretanto…
da luz fica o reflexo
da alegria, a lembrança
da plenitude , o vazio.
E assim…
Lentamente,
Cruelmente,
chegas.
Invades tudo.
Reinas
Sozinha
Mesquinha.
Até quando?
Por que não te vais?
Não te suporto mais
Outros te esperam.
E a mim
Ingrato
Sei que dirás.
Mas…
Perdão!
Eu quero
é viver
e
não recordar!
Sensibilidade
Na
Enxurrada
Rápida
Barrenta
E suja
Vai uma flor.
As crianças que brincam
não a percebem.
Os velhos que passam
não a enxergam.
Somente eu
Da minha janela
Entristeço-me.
A flor desaparece
esfacelada
na boca de um esgoto.
(in O camelo ancorado)
Ubaldo Luiz de Oliveira (1944-2009) foi professor de português no curso de madureza do Santa Inês, no Colégio Bandeirantes, entre outras escolas, e escreveu o livro de poemas “O Camelo Ancorado” e os estudos “Estrutura Sintática da Frase” e “Gramática Objetiva”.