Arquivo da categoria ‘Dança’

O haver

Agosto 11, 2009

simples, simples, simples…

Aos recalcitrantes

Julho 16, 2009

“Hannah Arendt apontou a saída: é, sim, possível, mesmo reconhecendo a vacilação do terreno em que pisamos, assumir valores, defender posições políticas, afirmar convicções, investir no conhecimento, firmas juízos morais e estéticos. Para isso, é necessário recusar os dogmatismos, reconhecer a legitimidade do pluralismo, adotar a humildade e a tolerância como posturas constantes, e buscar,no diálogo e na reflexão crítica, no estudo da tradição e no exame do repertório contemporâneo das criações culturais, as referências que produzam menos danos para a vida coletiva, em condições civilizadas (sic), e menos prejuízos aos valores que podem proteger e animar, seja o espaço público democrático, seja a experiência privada variada e livre. A receita não é simples, nem fácil. Não se aplica, mecanicamente, mas nos ajuda a atravessar nosso tempo sombrio”

[do antropólogo e cientista político Luis Eduardo Soares (UERJ), no texto Hannah Arendt e sua receita para tempos sombrios]

A memória como gratidão

Setembro 26, 2008


ESTRADA. SALGUEIROS
Vento. Noite. Ekart dormindo na relva.
BAAL vem se aproximando pelos campos, como bêbado, a roupa aberta, como um sonâmbulo – Ekart! Ekart! Achei. Acorda!
EKART – O que é que você tem? Está outra vez sonhando?
BAAL senta-se junto dele – Ouça:

Quando a moça lentamente se afogou
E foi descendo para outros rios maiores
Como um milagre o céu resplandeceu
Como se fosse amparar o seu cadáver.


As algas enroscando-se no seu corpo
Que pouco a pouco se tornou pesada
Frios os peixes entre as suas pernas
Tornando-se ainda mais lenta a sua última viagem.

À noite o céu escureceu como fumaça
Escondendo a pálida luz das estrelas
Mas logo amanheceu para que ela
Também vivesse agora manhãs e tardes.

Quando na água seu pálido corpo apodrecia
Lentamente Deus foi se esquecendo dela:
O rosto e depois os cabelos e as mãos.
Uma carcaça sobre tantas carcaças no rio.


Vento
.

(Bertolt Brecht – da peça Baal – 1918/1919)