Arquivo da categoria ‘breguices’

Para crianças e ïrmãos, em dia santo

Outubro 12, 2009

cachecol

Houve um russo que escreveu notas de inverno sobre impressões de verão.
Houve um puto que teve lembranças de um retiro de verão durante o inverno.

E houve quem fizesse promessas desse tipo:
alusões a ilusões
de varar estações.

Vigiando Romãs

Outubro 8, 2009

r, o, m, a, ~
Mitose é coisa que não faz sentido fora da aula de Ciências. Na vida real,
o que faz crecer o bambu, e arrebentar as frutas

é o tempo.

Houvesse gente paciente e ociosa, era só colocar cadeira de frente para o pomar pra ver crescer, milímetro a metro, a romã, a maçã, e a goiaba no pé.

E no peito, o que é que dá?

Trovinha infantil para Carlos Costa

Setembro 22, 2009

O professor sempre  corrigia o pleonasmo
Apontava o erro, cheio de sarcasmo.

A aluna dizia “na medida do possível… “
E ele troçava: “e na medida do impossível?”

Foi assim, com essa mania de chiste,
Que ele me ensinou a ver o que além existe.

Carta envergonhada ao futuro

Agosto 19, 2009

Disseram-me que é preciso confiar na vida.

Vai ver é porque o presente pode construir algo que sobreviva.

E devo dizer que é sorte se ter um temperamento tão apegado a tudo que exale humanidade. É por essas e outras que —  vire e mexe — topo com minúsculos papeizinhos nas reentrâncias da minha casa, que revelam formas inusitadas de o passado se comunicar com o presente. Formas inusuais de se escrever cartas para si mesmo.

Em letra canhestra [a minha própria] e apagada, pude ler:

“o tempo tudo tira e tudo dá; tudo muda, nada aniquila”  giordano bruno

Se não pode sonhar, sacode os baús empoeirados” Fayad Janin (?)

cícero
epístola eminon emberacit (??)

” Uma carta não se ruboriza” 

Forcei a memória e não me lembrei do dia, nem do contexto, muito menos da fonte da qual tirei essas palavras.

Mas, de imediato, fiquei tentado a escrever uma carta envergonhada ao futuro na esperança de que algo permaneça.

E, ao olhar o verso do papel, pude ler o nome de um livro de poemas de Mario Benedetti que jamais li e que tem no título uma senha sobre a importância do dia de hoje:

“la víspera indeleble”

se um quarto de hotel tem história, o que dirá o nosso

Querida, quervolta

Agosto 13, 2009

olaria em fuga
querida,
já não é mais quervolta.
já não me vê quervindo.

quantas vontades depositamos nos caminhos
e agora — que’reviravolta — parece que
nos sobram vontades, mas nos faltam caminhos

rumo vago.
mudo querer.

O haver

Agosto 11, 2009

simples, simples, simples…

Querência II

Julho 28, 2009

E o que é querer tudo?
Será querer saber tudo?
Ter lido todos os livros?
Ter visto todos os filmes?
Ter ouvido e composto todas as melodias de todos os gêneros?
Ter beijado todas as belas mulheres?
Ter enxugado todos os prantos?
Ter visto todos os dias todos?
Em todos os tempos?
Em todos os lugares?
Ter vivido cada guerra?
Ter vivido cada momento de paz?
Ter comungado todas as religiões?
Ter vivido todas as vontades?
Ter matado toda a sede?
Ter matado toda a fome?
Ter provado todos os sabores
Ter salvado todos os mortos?
Ter feito nascer toda a vida?

“Quando eu morrer eu não quero nem choro e nem vela.
Quero uma fita amarela gravada com o nome dela”.

Papagaio II

Julho 27, 2009

cartum - Fraga

meia lua

Junho 25, 2009

janela

Se o espaço é curvo,
o coração também é.

Sangria

Junho 24, 2009

bem estar absoluto

é bom estar em estado comovido.

não emoção: comoção.
sentir-se integrado com a beleza e o absurdo do mundo.

esses momentos bons de recordar, fazem da memória não apenas lembrança, lembrancinha…

fazem da recordação um verdadeiro presente com embrulho e fita.