Arquivo da categoria ‘auto-ironia’

O declínio da razão

Outubro 7, 2009

Guillotine
Se eu fosse o Luis XVI, pediria para não cortarem a minha cabeça fora.
Diria eu:
- Minha realeza não vem da cabeça, meu poder fica mais pra baixo…
O algoz com certeza maliciaria, e me daria um safanão…
E, ao final, eu diria:
- Não se confunda; decapitado, ainda estou inteiro.

Trovinha infantil para Carlos Costa

Setembro 22, 2009

O professor sempre  corrigia o pleonasmo
Apontava o erro, cheio de sarcasmo.

A aluna dizia “na medida do possível… “
E ele troçava: “e na medida do impossível?”

Foi assim, com essa mania de chiste,
Que ele me ensinou a ver o que além existe.

O haver

Agosto 11, 2009

simples, simples, simples…

Coalhada

Julho 30, 2009

- Cada um goza a felicidade com a qual se conforma.
- Credo, como você está azedo hoje.
- Opa, taí… coalhei.
- Coalhou?
- É! Virei coalhada.

Anfíbio II

Julho 29, 2009

Frog por Getsuju
A cauda do girino que morreu é apenas memória
na mente dos sapos que coaxam.

Até quando?

Anfíbio I

Julho 29, 2009

Jornalismedicina

O sapo se mandou
O lambari morreu
Porque o ribeirão secou

Oe trálálálálá oe!
Oe trálálálálá oe!
Oe trálálálálá oe!
Oe trálálálálá oe!
Oe trálálálálá oe!

Oe trálálálálá oe!
Oe trálálálálá oe!
Oe trálálálálá oe!
Oe trálálálálá oe!
Oe trálálálálá oe!

Querência II

Julho 28, 2009

E o que é querer tudo?
Será querer saber tudo?
Ter lido todos os livros?
Ter visto todos os filmes?
Ter ouvido e composto todas as melodias de todos os gêneros?
Ter beijado todas as belas mulheres?
Ter enxugado todos os prantos?
Ter visto todos os dias todos?
Em todos os tempos?
Em todos os lugares?
Ter vivido cada guerra?
Ter vivido cada momento de paz?
Ter comungado todas as religiões?
Ter vivido todas as vontades?
Ter matado toda a sede?
Ter matado toda a fome?
Ter provado todos os sabores
Ter salvado todos os mortos?
Ter feito nascer toda a vida?

“Quando eu morrer eu não quero nem choro e nem vela.
Quero uma fita amarela gravada com o nome dela”.

Papagaio II

Julho 27, 2009

cartum - Fraga

Esquema tático

Julho 20, 2009

práxis
nenhum lance é assim tão casual
nenhum lance é assim tão mental

filosofia

Incongruências

Julho 9, 2009

Conversa virtual num mundo irreal ou,
como diria Décio Pignatari, ARREAL

ELE: Oi
ELA: oi
ELE: Bom dia!!! [com três exclamações para demonstrar efusividade]

10 segundos de silêncio

ELE [novamente]: Bom dia?
ELA: Bom dia, tudo bom?
ELE: Tudo. Você chegou faz tempo?

15 segundos de silêncio

ELA: Oi…  faz uma meia hora, já
ELE: Mais cedo de novo?
ELA: Sim, peguei uma carona para casa.
ELE: Ah!

20 segundos de silêncio

ELE: Bom, estou vendo os meus e-mails. Vou voltar para casa. vou ficar lendo! A gente se encontra às 20h ou às 21h?
ELA: Você é quem sabe.
ELE: Bom, então tá! [ele reluta e prossegue] Você tomou café da manha direito?
ELA: Sim, por quê?
ELE: Ah, por nada!

10 segundos de silêncio

ELE: O que você já comeu hj?
ELA: Tomei leite, comi bolacha e tomei iogurte
ELE: Hum, bom então deve estar com fome. Vou caprichar no jantar então. Acho que já vou praí, então!
ELA: Tá bom, você é quem sabe. Qualquer mudança de planos, me avise, tá?
ELE: Ué? Porque eu mudaria.
ELA: Nada, deixa pra lá.
ELE [mudando de tática]: “Quando a gente gosta, é claro que a gente cuida”
ELA: =/
ELE: “Por que você não cola em mim?”
ELA: Você está ouvindo musica?
ELE: Tsc, tsc… estou cantando pra você.
ELA: Hum…
ELE: Hum;;; [usando ponto-e-vírgulas para quem sabe expressar uma tênue ironia]

8 minutos depois

ELE: Olha só isso o que eu vou te mandar!
ELA: Ainda está aí?
ELE: Sim, mas é por um bom motivo.
ELA: Putz, vai ficar tarde, assim!
ELE: Calma! Olha só isso, vai valer a pena…

“Companheiros”

“quero
escrever-me de homens
quero
calçar-me de terra
quero ser
a estrada marinha
que prossegue depois do último caminho

e quando ficar sem mim
não terei escrito
senão por vós
irmãos de um sonho
por vós
que não sereis derrotados

deixo
a paciência dos rios
a idade dos livros

mas não lego
mapa nem bússola
por que andei sempre
sobre meus pés
e doeu-me
às vezes
viver

hei-de inventar
um verso que vos faça justiça
por ora
basta-me o arco-íris
em que vos sonho
basta-te saber que morreis demasiado
por viverdes de menos
mas que permaneceis sem preço
companheiros”

ELA: O que é isso?
ELE: Mia couto.
ELA: Hum…

5 segundo de silêncio

ELA: bonito [assim mesmo, em minúsculo]
ELE: Eu estava pensando em chamar o meu primeiro livro de A ESTRADA MARINHA.
ELA: ehehe
ELE: Gosta?
ELA: Se for coerente com o conteudo…
ELE: :( :)

10 segundos de silêncio

ELE: O que acha desse poema?
ELA: Me manda por e-mail. Você não ia pra casa?
ELE: Ia, mas estou aqui conversando contigo e querendo fazer prospecção poética para encantar e mudar o mundo.
ELA: entendi…
ELE: Sentiu?
ELA: O que?
ELE: Você entendeu; mas sentiu?
ELA: Preciso ler com calma.
ELE: Eu estava falando da minha motivação de fazer prospecção poética, essa atitude que me faz ficar aqui picoteando a carcaça de gelo do mundo!
ELA: Isso eu senti, sim.
ELE: :) Sei…. [com ar cético, ao colocar quatro pontos nas reticências como que por protesto pela desfaçatez e pelo ar modorrento dela].

15 segundos de silêncio

ELE [apelando para uma saída non sense]: “El castellano, sin duda, resulta una lengua muchísimo más útil, non?”
ELA: De onde você tirou isso?
ELE [continuando, já com ar de vitória, por não mais lutar]: Abre muchas más puertas. La hablan muchas más gentes en el mundo… En un mundo globalizador el gallego representa una bandera en favor del separatismo y la diferenciación.
ELA: ?
ELE: “Que passa?” Passas ao rum?
ELA [corrigindo, no auge de seu morfinismo sentimental]: “¿qué pasa?”, é assim que se escreve.
ELE: Uau! Como você faz essa interrogação de ponta cabeça, hein? Aliás, serve tailandesa?
ELA: Não estou entendendo.
ELE [ionescamente revoltado]: METANO! BUTANO!
ELA: ?
ELE: Prospecção poética do mundo!
ELA: H2C2
ELE: ZAZ! Você entende de algo: química! Dois meteno e um benzeno!? Padre da foda, não!
ELA: ?eheh? [traduzido livremente por 'sorriso amarelo']

5 minutos depois

ELA: VOcê vai sair daí, afinal?

30 segundos de silêncio [por pura sacanagem dele]

ELA: Antonio.
ELE: Eu vou depois do pôr-do-sol.
ELA: Mas já anoiteceu.
ELE: Pois é!!
ELA: Bom, você faz o que quiser então. Mas você escolhe onde comer porque eu nao estou com vontade de pensar em comida.
ELE: Pensa, então, em nuvens cor de rosa.
ELA: Isso não existe.
ELE: Como não? Acabam de ser pensadas.
ELA: :)
ELE: Nuvens de gafanhotos cor-de-rosa no egito… pragas!
         Nuvens de Flamingos cor-de-rosa em Lobito… poesia!
ELA: rs!
ELE: “Nuvens Cor de Rosa”, Nuvens Cor de Rosa”, isso pode não ter muito sentido, para muita gente, mas para qualquer Lobitanga, será sempre a lembrança de milhares de Flamingos em vôo na zona dos mangais e das salinas do Lobito.
ELA: Mia Couto?
ELE: Tsc, tsc… não!

10 segundos de silêncio

ELE: Você, por acasao, já pensou em fazer algum tipo de dança?
ELA: não
ELE: Flamenca, por exemplo? A gente podia fazer, né?
ELA: podia?
ELE: É. Imagina você de castanholas… hummmmmmmmmmmmm!
ELA: Ridículo, eu diria
ELE: Não!É legal… bonito, sensual… você não gosta de dançar?
ELA: Bom, falamaos de dança pessoalmente…é melhor você ir para não se atrasar.
ELE: tá
ELA: :)
ELE: Tô indo.
ELA: Tá bom!
ELE: Beijo!
ELA: Beijo.
ELE: Beijos (….)

49 anos de silêncio