
Antonio Elias separou suas duas melhores camisas. Olhou bem para as duas para decidir qual delas vestir no primeiro encontro que teria com a sua ex-esposa; eles vinham se falando por telefone há uns dias, e uma dúzia e meia de palavras dela com um pouco mais de tempero haviam causado nele algo parecido com o que costumam chamar de esperança.
A escolha da camisa era para torná-lo belo e apresentável a uma possível recaída dela. Foi até o banheiro para pegar um pente e quando voltou viu que uma Mariposa havia pousado sobre uma delas. Logo pensou: “é um sinal!!! Vou usar essa!” Eis que ele, mui zelosamente, segurou a camisa sem que a Mariposa se assustasse e foi até a janela para lançar o inseto ao ar.
A anedota então se fez: por descuido e falta de maior coordenação, lá se foi a vestimenta junto com a Mariposa. A Mariposa com asas próprias voou, mal foi lançada, e a camisa xadrez planou matreira e foi insuflada lentamente pelo vento, num vôo esplêndido até o telhado de uma casa já distante do outro quarteirão.
“Maldita superstição!” Pensou ele… “Quanta bobagem!”
Foi ao encontro vestindo a camisa que restou e, mal chegou, sua ex-mulher soltou como um petardo: “você não tem outra camisa!? Essa foi a roupa que você usou no dia de nosso divórcio!!!”
Antonio Elias nunca saberá se a camisa lhe deu azar novamente, mas ele caiu do cavalo ao ver que a sua mulher não queria nada dele, nem de sua roupa velha.